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Os dois caminhos (continuação de Sonhos Decisivos)

- Isso é loucura, Pedro! - disse Ana Beatriz.
- Não é! Eu preciso, que dizer, nós temos que ir lá! - disse eu.
Eu brigava com Ana Beatriz que tentava defender Tiago, o sátiro. Para esclarecer a conversa, eu quero ir para o Mundo Inferior, mas Tiago é um sátiro e sátiros não gostam do Mundo Inferior. Por incrível que pareça, Ana Beatriz também está com medo de descer.
- Precisamos ir até o Olimpo. - disse ela.
- Mas também precisamos salvar o Mundo Inferior! - disse eu.
- Por quê? - perguntou Tiago.
- Porque eu sonhei com Quíron e Carman. - disse - Carman estava lutando contra Quíron pela sobrevivência no planeta Terra. Euríale ria com o sofrimento dos dois.
- E você não sonhou com o Olimpo! - perguntou Patrick.
- Sonhei que Esteno e Medusa destruíam o Olimpo e o deixava em ruínas. Eu fui atacado por uma delas e nem quero saber qual era.
- Cristo Redentor é mais perto! - disse Tiago.
- E onde fica o Mundo Inferior? - perguntei.
- Você quer mesmo salvar seu pai? - perguntou Tiago e eu assenti - A entrada principal fica no Acre.
- Tem a entrada mais próxima, que fica em um beco em algum lugar! - disse Ana Beatriz -  Se pegarmos o mapa do Rio de Janeiro eu reconheceria.
- Não seja por isso, minha cara! - disse eu - Os seus cintos servem para quê?
Ana Beatriz hesitou em tirar o mapa de dentro do cinto, mas tirou e apontou o lugar, na verdade o mapa mostrava a entrada do Olimpo, as entradas do Mundo Inferior, entradas par ao Labirinto de Dédalo, e várias outras entradas. Aquele mapa teria que estar na minha mão.
- Então salvaremos o Olimpo, mesmo eu achando que se não fecharmos as Portas da Morte não iremos salvará-lo.
- Nós ficamos olhando a conversa de vocês - começou Patrícia - e como nós temos que decidir isso em grupo e nós somos cinco, a maioria vence. Pedro, se nós ficarmos presos lá embaixo nós podemos voltar?
- Se eu encontrar o caminho até meu pai... - disse eu.
- Vamos ao Mundo Inferior! - disse Patrick.

Não sei se agora sentia um pouco de medo, porque mandamos uma mensagem de Íris para o chalé de Hécate e uma das garotas que nos atendeu segurava uma varinha pronta para fazer magias de ataque. "Deve ser só um treinamento" tentei colocar na minha cabeça. Desisto. A garota desistiu da magia de ataque e nos teletransportou àquele ponto do mapa onde estava a entrada do Mundo Inferior.
- Essa aqui é a entrada menos conhecida. Da para um lugar perdido no meio do nada do Mundo Inferior. - disse Ana Beatriz.
- Perfeito! Vamos entrar sorrateiramente. - disse eu.
- Se isso for possível. - disse Tiago.
- Diz que precisamos de música para fazer o rio a nosso favor. - disse Patrícia.
- Tiago, trouxe a flauta? - perguntei.
Tiago hesitou. Por que as pessoas hesitam muito? O.K., não posso dizer nada. Tiago tocou a flauta e o esgoto que passava por ali limpou.
- Quem diria que uma flauta limparia os rios do mundo? - disse.
Um barco apareceu na beira do rio.
- Aquele barco estava ali? - perguntou Patrick.
Patrick e Patrícia correram até o barco, Ana Beatriz foi atrás meio estranha. Eu fui acompanhando Tiago parecendo estar em transe.
- Melhor remarmos agora antes que alguém veja. - disse Ana Beatriz.
O barco parecia navegar em ritmo rápido, porque eu via muito ossos passando diante de meus olhos. Atrás de nós a água voltava a ser turva.
- Uma estação de esgoto? Um dos afluentes do rio Estige é o esgoto? - resmunguei.
Tá bom, era de novo a Névoa me atrapalhando! O rio era limpo, mas parece estar sujo para nenhum humano entrar. Caso entre, ele entrará no mundo dos mortos. Um ano como semideus e não aprendi o Be-A-Bá.
- As tochas não vão dar vazão! - disse Patrícia.
O barco estava cada vez mais iluminado.
- O barco foi feito pela magia da flauta? - perguntou Patrick.
- Acho que sim! - respondi.
Risos estranhos ecoaram pelo esgoto que passávamos.
- Continue, Tiago! - disse eu tendo medo de o que aqueles risos significavam.
Meu coração acelerava e percebi que Tiago se assustara. Mesmo em transe ele escutara os risos. O sátiro começou a tocar mais rápido a flauta e barco começou a se movimentar. Senti o barco virando vapor, água ou qualquer coisa que molhasse meu pé.
- Se acalme, Tiago! - disse eu aparentando estar nervoso.
Ele pareceu tocar mais rápido.
- Tiago! Nós vamos morrer! Se acalme! - gritou Ana Beatriz.
A fala dela tinha ambiguidade, mas eu entendi o que ela queria dizer. Ana quis dizer que se ele não se acalmar o barco vai evaporar e o rio vai nos carregar pela correnteza. E também tinha aquele riso maquiavélico.
- Temos que fazer alguma coisa. - disse Patrícia.
Mais risadas ecoaram. Suspeitei que Euríale viesse nos recepcionar. Patrícia e Patrick cantavam música de ninar para Tiago.
- Pego a Olympus ou não? - perguntei a Ana Beatriz.
- Fique com a caneta em mãos. Mas lembre-se: Zeus não toma conta daqui é seu pai. O melhor para usar aqui é elmo de Hades, não o raio-mestre de Zeus.
O barco agitou e resolvi pegar os remos e remar junto com Ana Beatriz.
- Precisamos chegar a terra firme. - disse.
- Falta pouco. Tiago se concentra agora. Vamos desembocar em outro rio onde a correnteza é mais forte.
Tiago pareceu se acalmar.
Mais risadas fizeram todos gritar e até Tiago, o que foi quase fatal.
O barco se desfez em água e a correnteza no levou e caímos no outro rio. Percebi Tiago e as crianças não sabiam nadar.
- Segura minha mão, Tiago! - gritei.
A flauta provavelmente ficou para trás. Consegui segurá-lo. Chegamos ao outro lado da margem e subimos ela.
Ana Beatriz e as crianças estavam tentando subir.
- Eu quero respirar. - disse Patrick. Patrícia provavelmente bebeu muita água, pois estava adormecida.
Tiago estava deitado e ofegante. Estava pior que eu e Ana Beatriz.
- Nunca mais faça isso, Tiago! - disse.
- Quem era a pessoa que ria? - perguntou Tiago.
- Ficarmos atentos. - disse Ana.
Atrás de nós um ser gigante de várias cabeças, resolvi não contar. Ana Beatriz tirou Patrícia do caminho.
- Tiago e Patrick, tirem ela daqui. Coloque ela em algum que ninguém possa ver. E, Tiago, fique por lá! - disse ela.
- Isso é uma Hidra? - perguntei
Duas cabeças me atacaram de um lado, desviei e depois do outro. Consegui desviar. Outras cabeças tentaram impedir que Tiago, Patrick e Patrícia chegassem a um esconderijo.
Ana Beatriz lançou um saraivada de flechas na direção do monstro.
Minha pergunta não foi respondida.
- Olympus! - gritei.
A lâmina de vidro apareceu.
Cheguei perto da margem e cortei-lhe a cabeça.
- Não! - escutei Ana Beatriz gritar.
Caí no chão e não disse nada até levantar.
- Seu animal! Já ouviu dizer que se cortar a cabeça de uma Hidra... - Ana foi interrompida pela resposta da Hidra.
A nova cabeça se cravou entre nós dois.
- Essa é a décima. - disse.
Me agachei atrás de uma rocha.
- Agora o que eu faço? - falei sozinho.
Logo eu vi Patrícia adormecida algumas pedras depois. Rolei e criei várias esqueletos, mas percebi só estava perdendo as forças.
- Patrick, você pode incinerar a serpente de nove cabeças? Melhor, dez cabeças? - perguntei.
- Vou tentar, mas vai gastar muito. - disse ele.
Patrick fez gesto e dez colunas de fogo surgiram e queimavam a Hidra.
- Que ideia louca é essa? - perguntou Ana Beatriz.
- Essa! - disse eu.
Assim que eu percebi o que ia acontecer (Hidra estar incendiada), eu coloquei o elmo de Hades e cruzei o corpo de dragão com a espada.
Hidra "relinchou" e caiu para dentro da água. Patrick estava pegando fogo, mas, a medida que se apagava,
ficava sonolento, até que ele desmaiou.
- As pessoas que podem salvar o Olimpo estão desmaiadas. - disse Ana Beatriz lançando uma flecha na água.

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